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Plantas transgênicas para consumo humano: o que são e potenciais vantagens

Bernardo Esteves, Indiana Dayane, Ingrid Sabino, Mileny Borges, Vitória de Oliveira, Yasmim Araújo

Graduandos do curso de Bioquímica (UFSJ-CCO)

v.1, n.4, 2023
Dezembro de 2023

Plantas transgênicas são organismos que foram produzidos em laboratório e que tiveram alterações executadas na sua genética, no seu DNA, com o objetivo por exemplo, de atingir maior produtividade e reduzir-se o uso de agrotóxicos em seu cultivo: visando uma agricultura mais sustentável com o auxílio da biotecnologia [1].


A história das plantas transgênicas começou nos anos 70, quando foram descobertas proteínas que podem realizar cortes em locais definidos no DNA, permitindo a edição deste. Estas proteínas são chamadas enzimas de restrição [2]. Nos anos 80 pesquisadores americanos e europeus conseguiram desenvolver vegetais transgênicos, sendo a principal espécie alvo desses esforços a Nicotiana tabacum (planta da qual se obtém o fumo). Porém esta não é uma espécie comestível e apenas em 1994 as plantas transgênicas chegaram à mesa da população para serem consumidas. A primeira transgênica comestível foi o tomate, disponibilizado inicialmente no mercado norte-americano. Posteriormente  vários outros alimentos que são mais amplamente cultivados como a soja, o milho e o feijão, foram também modificados e disponibilizados no mercado para consumo humano [1].

No Brasil as plantas transgênicas para uso na alimentação humana sempre foram assunto polêmico. A venda chegou a ser proibida. Em 1995 houve uma tentativa de regulamentação, mas em 1998 nova proibição ocorreu. Em 2005 a produção destes organismos modificados geneticamente foi regulamentada (Lei n° 11.105/05 - Lei da Biossegurança) e autorizada para comercialização.Em 2019, por exemplo, o Brasil ocupava o segundo lugar no ranking mundial dos produtores de  plantas transgênicas, só perdendo para os EUA [3].

Para a produção de uma planta desta natureza, primeiramente escolhe-se a característica que deseja-se fornecer para a planta, por exemplo a capacidade de eliminar insetos que venham a alimentar-se dela. O segundo passo é localizar um organismo que consiga realizar esta função, e identificar nele qual é o trecho do DNA (gene) que participa deste feito. Em seguida, utilizando-se as enzimas de restrição é possível obter do DNA do organismo o trecho do DNA e entregar este à célula da planta em estágio mais inicial de desenvolvimento, por meio de técnicas como a biobalística. Antes dessa entrega, comumente sintetiza-se em laboratório várias cópias deste gene através de técnica chamada reação em cadeia da polimerase (PCR). Após a entrega, a planta adulta derivada poderá passar a apresentar a característica desejada. Para a resistência a inseto pode-se utilizar, por exemplo, o trecho de DNA da espécie de bactéria Bacillus thuringiensis que produz a proteína Cry 1 (tóxica para insetos) (Figura 1).

Várias vantagens, como mencionado, foram encontradas no cultivo dos transgênicos vegetais como redução no uso de agrotóxicos, o que favorece a saúde dos consumidores visto que estes defensivos agrícolas podem causar doenças como cânceres, além de lesões no fígado, intoxicação, etc. Soma-se a isso a redução de custo de produção e consequentemente do valor de venda do alimento, seja pelo menor gasto para evitar-se pragas, seja pelo aumento de produtividade que muitas vezes é o objetivo da modificação genética da planta.

Porém, mesmo com fortes potenciais benefícios associados a esse cultivo, as plantas transgênicas também apresentam desvantagens como por exemplo, a possibilidade de ocasionarem alergias em alguns consumidores e a possibilidade de seleção e favorecimento de proliferação de organismos resistentes a agrotóxicos, por exemplo, ameaçando a biodiversidade local [4].
 

Figura 2: Empresas ainda lutam para evitar a rotulagem de transgênicos no Brasil.

Fonte: https://reporterbrasil.org.br/2013/11/empresas-ainda-lutam-para-evitar-a-rotulagem-de-transgenicos-no-brasil/

Para podermos identificar se um produto é transgênico ou não, a legislação brasileira exige que para identificação de um transgênico esteja no rótulo: um triângulo amarelo contendo uma letra T dentro dele (Figura 2). O óleo de soja, muito presente no nosso dia a dia, é um exemplo de alimento que é comumente obtido a partir de planta transgênica (a soja). No rótulo da embalagem, caso este seja o caso, existe este símbolo para nos informar [5]. No entanto, o projeto de lei n° 34/2015, que teve sua solicitação de desarquivamento realizada em fevereiro de 2023 e que deve ainda ser votado pelo Senado, propõe que caso a presença de transgênicos no alimento seja inferior a 1% da composição total do produto alimentício, o produtor possa não informar no rótulo esta presença [6].

Espera-se que a pesquisa com transgênicos siga avançando no Brasil e no mundo, visando potencializar os benefícios destes organismos geneticamente modificados e diminuir ou eliminar as desvantagens ainda associadas ao cultivo e utilização destes.

Referências Bibliográficas

[1] Aragão FJL. A trajetória dos organismos transgênicos. Disponível através do link: https://www.embrapa.br/olhares-para-2030/artigo/-/asset_publisher/SNN1QE9zUPS2/content/francisco-jose-lima-aragao?inheritRedirect=true. Acesso em:02 de dez. 2023

[2] Araújo AR. Desconhecimento explica resistência aos transgênicos, diz pesquisadora. Disponível através do link: https://www.ufmg.br/boletim/bol1298/sexta.shtml. Acesso em: 02 dez. 2023

[3] Jor JB.Transgênicos: o Brasil é o segundo maior produtor mundial. Disponível através do link: https://www.camara.leg.br/radio/programas/385834-transgenicos-o-brasil-e-o-segundo-maior-produtor-mundial/#:~:text=No%20Brasil%2C%20a%20hist%C3%B3ria%20dos,por%20medida%20provis%C3%B3ria%20em%201995. Acesso em: 02 dez. 2023

[4] ‌COOPSAÚDE. Conheça as vantagens e desvantagens dos alimentos transgênicos. Disponivel através do link: https://www.coopusaude.coop.br/site/publicacao/conheca-as-vantagens-e-desvantagens-dos-alimentos-transgenicos#:~:text=Entre%20as%20principais%20vantagens%20dos,para%20a%20sa%C3%BAde%20do%20consumidor. Acesso em: 02 dez. 2023

[5] IDEC. É transgênico ou não é?. Disponível através do link: https://idec.org.br/em-acao/revista/o-t-da-questo/materia/e-transgenico-ou-no-e#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20exige%20que%20o,produto%20%C3%A9%20ou%20cont%C3%A9m%20transg%C3%AAnico. Acesso em: 02 dez. 2023

[6] CÂMARA DOS DEPUTADOS. Projeto de Lei da Câmara n° 34/2015. Disponível através do link: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/120996. Acesso em: 02 dez. 2023

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