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Entrevista:
Bruna Paulsen

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BRUNA DA SILVEIRA PAULSEN

Graduada em Ciências Biológicas - Modalidade Médica (2008) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com Mestrado (2011 - bolsista FAPERJ Nota 10) e Doutorado (2015 - bolsista do programa Ciências Sem Fronteiras na Harvard Medical School/Boston Childrens Hospital) em Ciências Morfológicas pela mesma instituição. Atuou como residente pós-doutoral no Departamento  de  Células-Tronco e Biologia Regenerativa da Universidade de Harvard. Tem experiência na área de Biologia Celular, com ênfase no estudo

da biologia de células-tronco embrionárias, células-tronco de pluripotência induzida e diferenciação neural. O resultado dos trabalhos desenvolvidos por Bruna foram publicados em revistas científicas de alto impacto e o esforço da jovem cientista já foi reconhecido através de premiações no país e no exterior. 

Por Felipe Silva Mesquita¹, Fernanda Maria Policarpo Tonelli², Gabriel Henrique Silveira Andrade¹, Geicielly da Costa Pinto¹, Katia Maria Ferreira³, Lorrayne dos Santos¹, Marina Carvalho de Faria¹, Vitor de Morais Santos¹, Vitor Hugo Passos Monteiro¹

¹Graduandos do curso de Farmácia (UFSJ-CCO)

²Editora chefe do "À Luz da Ciência" e orientadora da LAstro (UFSJ)

³Graduanda do curso de Enfermagem (UFSJ-CCO)

v.1, n.1, 2023
Setembro de 2023

Com uma trajetória brilhante, a jovem pesquisadora brasileira Bruna Paulsen é ambiciosa e está sempre em busca de aprimoramento e de novos desafios. Começou sua trajetória na ciência na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

 

A biomédica e grande entusiasta do curso de Biomedicina se encantou com ciência logo no primeiro ano de graduação, enquanto era ouvinte de uma palestra do Professor Stevens Rehen sobre os estudos dele com neurônios nos Estados Unidos.

 

Nesta palestra, deparou-se com uma ruptura de paradigma ao descobrir que, diferentemente do que havia aprendido na escola, os neurônios do cérebro não tem o mesmo número de cromossomos das demais células.

 

Já no primeiro ano de graduação, iniciou então sua trajetória na pesquisa como aluna de iniciação científica do Professor Rehen, que viria mais tarde a ser também seu orientador de mestrado e doutorado.

 

Bruna assistiu de perto ao processo de desvendar-se as células-tronco e participou do mesmo. Estas células eram antes obtidas apenas de embriões, mas desde o ano de 2006 (devido aos trabalhos dos pesquisadores japoneses Takahashi e Yamanaka) passaram a ser também obtidas em laboratório a partir de células já diferenciadas (como células da pele, por exemplo). Estas células já diferenciadas podiam ser reprogramadas, gerando as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs).

 

As iPSCs, diferentemente das células-tronco derivadas de blastocisto, não sofrem tanto com entraves éticos quanto à sua obtenção, visto que células da pele de um doador, por exemplo, podem ser reprogramadas em laboratório. Posteriormente podem então ser aplicadas em medicina regenerativa, modelagem de doenças para ampliar-se o entendimento dos mecanismos envolvidos, e teste de medicamentos (reduzindo uso de animais com testes em mini órgãos, ou organóides, gerados através dessas células).

 

As técnicas de obtenção destas células-tronco reprogramadas estavam sendo estabelecidas no Brasil pelo Professor Rehen e sua equipe e por pesquisadores de São Paulo, quando Bruna dava seus primeiros passos na carreira científica.

 

Durante seu doutorado ela teve a oportunidade de ir até os Estados Unidos realizar parte de sua pesquisa na Harvard Medical School, sendo supervisionada por um dos co-fundadores da Moderna (empresa que desenvolveu vacinas contra o vírus da Covid): Derrick Rossi. Nesta mesma instituição ela atuou posteriormente como residente pós-doutoral, estudando transtorno do espectro autista em mini cérebros gerados a partir de iPSCs.

 

Mas Bruna ainda almejava ver transformado em benefício para a sociedade os seus anos de estudo e os resultados dos projetos que desenvolveu. Atualmente ela encontra-se mais perto de ver este sonho plenamente realizado, dirigindo a divisão de células-tronco de uma startup que visa aplicar estas células para estratégias relacionadas à saúde da mulher e fertilização.

 

Apesar de estarem disponíveis no Brasil menos recursos para as pesquisas do que nos Estados Unidos, por exemplo, Bruna destaca que a criatividade do brasileiro e a paixão pela ciência podem permitir, mesmo com as dificuldades, pesquisas de qualidade equiparadas às do exterior.

 

Ressalta também que no Brasil os cientistas acabam por adquirir conhecimentos inclusive para lidar com entraves burocráticos como desembaraço aduaneiro de produtos importados, e planejamento com meses de antecedência dos experimentos a serem realizados para haver tempo hábil de o material necessário chegar ao laboratório.

 

As equipes multidisciplinares e com membros com diferente grau de formação são outra vantagem destacada por Bruna no cenário da ciência brasileira. Um aluno de iniciação científica no país tem muito mais oportunidades de engajar-se em atividades de diferentes naturezas no campo da pesquisa do que um do exterior. Soma-se a isso o fato de haverem mais oportunidades para jovens no Brasil em relação a oportunidades para pesquisadores seniores, diferente do que se evidencia nos Estados Unidos.

 

A jovem pesquisadora recomenda àqueles que estão construindo sua carreira na pesquisa a deixar de lado o sentimento de inferioridade. O pesquisador brasileiro precisa acreditar na qualidade do trabalho que desempenha e saber apresentar-se e apresentar sua pesquisa com excelência. 

 

Bruna ressalta que todos nós nascemos cientistas, fazendo experiências desde a infância para conhecer o mundo que nos cerca. No entanto, com o passar da idade alguns de nós tornam-se menos curiosos e questionadores. Para expandir o acesso a oportunidades para futuras gerações de pesquisadores, Paulsen atua junto ao Clubes de Ciências Brasil, projeto criado em Harvard e trazido para nosso país para despertar o interesse científico em jovens através de oficinas e mentorias gratuitas.

 

Este trabalho visa além de oferecer mais oportunidades, abrir espaço para mais representatividade e reconhecimento aos cientistas, a fim de que no futuro a população brasileira possa lembrar-se rapidamente de nomes de cientistas do país com a mesma facilidade de que se recorda de nomes de jogadores de futebol, por exemplo.

 

Para os que pretendem seguir carreira na ciência, Bruna alega não ser fácil, mas recomenda que não se desista no caminho. Com paixão e dedicação, há espaço para todos tanto no Brasil como fora dele. Destaca que não existe uma profissão específica para se ser cientista; é possível seguir esta carreira seja o interessando, por exemplo, engenheiro, veterinário, químico ou médico.

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