
Entrevista:
Wandry Rodrigues Faria

WANDRY RODRIGUES FARIA
Mestre, Doutor e atualmente pós-graduando em Engenharia Elétrica com ênfase em Sistemas Elétricos de Potência pela Universidade de São Paulo (USP), Wandry Rodrigues é goiano, mas mora no interior de São Paulo há 7 anos. Trabalha com otimização de Sistemas Elétricos de Potência, principalmente com mercados de eletricidade, restauração e proteção de sistemas de distribuição.
Natália Pereira Junqueira¹, Pedro Cazarin Cruz¹, André Lima Mamud¹, Beatriz Monteiro Ribeiro², Eduardo Bergamasco Thomé¹, Kevelyn Moreira Libório¹, Mateus Henrique Martins Gomes¹, Regis Honorio Prado¹
¹Graduandos do curso de Medicina (UFSJ CCO)
²Graduanda do curso de Bioquímica (UFSJ/CCO)
v.4, n.1, 2026
Janeiro de 2026
Quando percebeu que possuía interesse por ciência?
Me interessei por disciplinas do campo das ciências exatas desde criança e gostava de curiosidades/novidades científicas desde então. No ensino médio tive meu primeiro contato com cientistas e com o desenvolvimento de pesquisa científica e me encantei.
Teve dúvidas ao realizar a escolha do curso de graduação?
Não, fui aluno de curso técnico integrado ao ensino médio, gostei e resolvi cursar a graduação na mesma área.
O que considera ter sido decisivo em sua escolha por seguir a carreira científica?
Tive a oportunidade de participar de um programa de iniciação científica ainda no ensino médio. Gostei da experiência desde o primeiro contato. Já na graduação, participei de projetos de iniciação científica desde os primeiros semestres. Acredito que um momento decisivo — que à época não foi tão evidente — foi quando, ainda cursando o ensino médio, participei como apresentador em um congresso da Sociedade Brasileira Pelo Progresso da Ciência (SBPC) pela primeira vez.
Por qual razão optou por dedicar-se à área de estudos na qual realiza suas pesquisas?
Me interesso pela versatilidade da área. Apesar de sempre ter trabalhado na área de sistemas elétricos de potência, trabalhar com otimização me permite transitar entre vários problemas estudados na área.
Qual a principal motivação para seguir trabalhando com ciência no Brasil?
A minha escolha de trabalhar com ciência independe do país, pois já tive a oportunidade de trabalhar fora durante um ano e me adaptei bem. No entanto, a preferência de me manter no Brasil se deve à proximidade da família.
Qual a principal dificuldade que enfrenta trabalhando com ciência no Brasil?
Em minha área de pesquisa não precisamos de materiais utilizáveis, o que facilita bastante o processo de montar e manter um laboratório. No entanto, a resolução de problemas complexos demanda hardware de ponta (computadores com bastante capacidade de processamento e armazenamento) e softwares atualizados. Em geral, tanto hardware como software são direta ou indiretamente afetados pelo mercado/escassez internacional e flutuações da taxa de câmbio. Isso dificulta a aquisição de equipamentos fundamentais para modelar adequadamente e solucionar problemas de grande porte e de interesse da comunidade científica internacional.
O que gostaria de dizer para quem deseja seguir a carreira científica?
É uma escolha que provavelmente você considerará ingrata muitas vezes! O processo de formação de um cientista demanda do indivíduo bastante esforço, muito estudo e dedicação. Os avanços são lentos e aos solavancos, de forma que é comum sofrer de algo análogo à síndrome do impostor. O que eu gostaria de dizer é: PERSEVERE! A aplicação do método científico e a constante busca da resposta para a pergunta “Por que as coisas não estão funcionando como deveriam?” te tornarão um profissional extremamente bem-treinado. E não se engane: o Brasil forma excelentes pesquisadores, treinados o bastante para serem bem-vindos em centros de pesquisa e empresas do setor privado tanto dentro país como no exterior.
Houve alguma experiência inesperada na sua vida que te preparou para os desafios da pesquisa, mesmo que não pareça diretamente relacionada?
Eu tive contato com pesquisa muito cedo, mas imagino que a necessidade de sanar minhas curiosidades, característica que tenho desde criança, pode ter facilitado minha trajetória. Talvez um segundo fator importante, que também está associado ao primeiro, tenha sido acompanhar meu pai em manutenções mecânicas e perguntar sempre o princípio de funcionamento de tudo que eu desconhecia. Acredito que admitir não conhecer e saber onde buscar tal conhecimento é fundamental para transpor os obstáculos de qualquer pesquisa.