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Entrevista:
Rosa Brito

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ROSA BRITO

Professora Adjunta do Departamento de Psicologia e docente no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Mato Grosso. Coordena o ETHOS - Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia Humanista e Fenomenologia. Doutora em Psicologia (Universidade de Fortaleza) e graduada e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará. Especialista em Psicologia Clínica e em Saúde Mental Infanto-juvenil. Possui formação em Abordagem Centrada na Pessoa e em Psicoterapia Humanista-Fenomenológica. É membro da Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estrutural. É membro fundador do Instituto de Psicologia Humanista e Fenomenológica do Ceará. Desenvolve pesquisas em: Psicologia Clínica, Saúde mental, Plantão Psicológico, Abordagem Centrada na Pessoa, Ludoterapia Centrada na Criança, Clínica Humanista-Fenomenológica, Psicologia clínica e fenomenologia com crianças.

Karine da Silva Souza¹, João Pedro Pires de Castro¹, Antonio Lucas Oscar da Penha de Mattos¹, Isabelly Rossi Ferreira², João Victor Andrade², Anne Caroliny Teles dos Santos³, Daniela Cristina Alves Barbosa³, Jéssica Lara Vargas Oliveira³

¹Graduandos do curso de Enfermagem (UFSJ CCO)

²Graduandos do curso de Bioquímica (UFSJ/CCO)

³Graduandas do curso de Farmácia (UFSJ/CCO)

v.4, n.2, 2026
Fevereiro de 2026

Entrevista semi estruturada com um roteiro base que norteou a elaboração das perguntas. Critérios de inclusão: brasileiro(a), pesquisador(a) na área da saúde. Possuir disponibilidade de um encontro e o interesse em participar do trabalho acadêmico. A entrevista foi realizada na forma de diálogo, em um ambiente calmo. Foi utilizado um gravador para captar os dados coletados, o que propiciou a transcrição do áudio por meio de um software. 

“Meu nome é Rosa Brito, sou psicóloga, professora na Universidade Federal do Mato Grosso. Nasci no Ceará, mas moro em Cuiabá há 3 anos”. 

“Minha formação está baseada nas diretrizes curriculares nacionais e é previsto que nossa formação tenha uma forte base de pesquisa. Então temos disciplina de metodologia científica, pesquisa quanti, quali, mista, temos obrigatoriamente um trabalho de conclusão de curso, que pode ser em formato em monografia, relatório, artigo”. 

“Eu acabei por diversos motivos entrando na pesquisa para que eu pudesse pesquisar a minha prática; esse foi o meu propósito. Eu desenvolvo um campo de pesquisa mais amplo, mas quando eu comecei foi assim: ‘eu quero estudar a minha clínica, como é que eu estudo’ e após a graduação esse foi o caminho.” 

A escolha profissional principalmente durante a adolescência torna-se em alguns casos uma dramática juvenil, atrelado a falta de confiança em si, a insegurança de um futuro na categoria profissional e no viver em sociedade [2]. Considerando tais dificuldades que podem se tornar um dilema na vida após a conclusão do ensino médio, questiona-se como foi a decisão para cursar psicologia, visto que iniciou a vida universitária jovem. Assim como, a carência educacional que seus alunos demonstram na prática acadêmica e científica. 

“Eu nunca tinha feito terapia. Eu nunca tive acesso fácil. Eu entrei na graduação no ano 2000; tem 25 anos que entrei na faculdade. Então, eu estava sem saber o que fazer no meu ensino médio, eu não tinha ideia do que eu gostaria de cursar e um amigo me sugeriu um curso. Me falou sobre a psicologia e eu acolhi, mas sem saber o porquê. Quando eu perguntei para ele a razão da sugestão, ele me disse que eu sabia ouvir. Depois de um tempo, eu descobri que ele era usuário, fazia terapia e acompanhamento psiquiátrico; então ele já tinha a experiência de ser escutado, e ele percebeu em mim similaridades com esta atividade. Então por conta disso, eu comecei a pesquisar sobre, gostei e fui tentar. Passei no vestibular na 3° vez. Amei o curso? Não. Entrei e achei tudo uma loucura. Muita abordagem diferente ao mesmo tempo. A faculdade de psicologia é uma quebra de valores, uma reconfiguração de valores na sua vida. Você vai aprendendo que o mundo é um pouco mais amplo; pelo menos foi assim na minha experiência. Eu tive uma situação importante em minha vida pessoal. Me casei, fui morar em outro estado, tranquei o curso após cursar um ano. Passei 3 anos fora, e durante esses 3 anos eu fui refazendo a minha relação com a psicologia. Decidi então retornar. Terminei o curso e estamos aí até hoje”.

A docência, principalmente no ambiente universitário, desempenha uma série de funções que vão além de ministrar aulas. Atribui-se três funções principais aos professores universitários: o ensino (docência), a pesquisa e a administração em diversos setores da instituição. Acrescenta-se ainda a função de orientação acadêmica: monografias, dissertações e teses [3].

 

“Comecei o mestrado no Ceará. Havia fomentos, bolsas, e quando somos bolsistas, no meu caso pelo ‘CAP’, a gente precisa cumprir uma série de compromissos. O mestrado geralmente acontece dentro de uma estrutura. Existe um grupo de pesquisa, o qual tem um coordenador. Muitas vezes têm o coordenador, o mestrando, o doutorando e os alunos de iniciação científica, formando uma pirâmide de hierarquias, que permite que o coordenador (no topo da pirâmede) tenha acesso a tudo. Então os alunos de IC reportam tudo para o mestrando, que se reporta ao doutorando e assim sucessivamente. No meu mestrado eu não cheguei a ter essa experiência. Eu fiz meu mestrado com bolsa, mas o meu orientador não participava muito das atividades do grupo de pesquisa. Haviam outros coordenadores que tinham uma atuação mais direta. Então, basicamente, o meu contato com os alunos foi por meio de um grupo de estudos que eu resolvi fazer por conta própria. A universidade se constrói no tripé ensino, pesquisa e extensão. No mestrado eu cumpria o critério do ensinoatravés de estágio-docência, que é estar na disciplina do professor orientador ou de outro professor e ministrar uma parte dessa disciplina. Isto para que se desenvolva as possibilidades de planejar o projeto de ensino, fazer as avaliações, experimentar as dinâmicas de uma sala de aula, saber organizar o conteúdo dentro de um tempo e manejar a relação com os alunos em sala de aula. No grupo de pesquisa é onde  aprende-se a orientar. No entanto, eu não tive esse segundo contato. Logo, fiz o grupo de estudo como uma oportunidade para aprimorar o ensino.” 

“Já no doutorado, eu resolvi fazer algumas atividades em paralelo. Eu realizava supervisão clínica junto aos alunos da minha antiga orientadora e lá no grupo de pesquisa dela essa estrutura piramidal acontecia. ‘E pra que que o aluno de IC entra em um grupo de pesquisa?’ Ele entra para desenvolver pesquisa, ele entra para fazer um projeto, e esse projeto vira um artigo. Então a orientação vai acontecendo dentro da pirâmide e eu repassava diretamente e/ou indiretamente as informações para a coordenadora do grupo de pesquisa, da linha de pesquisa. Minha primeira aluna de IC fez um projeto de pesquisa de revisão sistemática sobre psicoterapia com crianças, que era meu tema de pesquisa. Ela foi construindo o processo comigo, escolhendo base de dados, escolhendo o idioma, estabelecendo-se o marco temporal, fomos estabelecendo os passos. Tive que estudar para poder orientá-la. Quando o texto estava finalizado em uma primeira versão, a minha orientadora fez os ajustes, além de complementar a escrita. O artigo foi publicado em 2021. Essa é a dinâmica da relação com os alunos".

 

"Como estou agora na universidade pública, temos uma coisa muito forte que é o projeto de extensão. Então, estou falando de três situações de orientação que são completamente diferentes. No projeto de extensão visa-se que os alunos tenham mais autonomia. Logo,  sou uma espécie de tutora que vai coordenar e direcionar as ações. Mas quem pensa e executa a ação é o aluno. Normalmente, o projeto de extensão não prevê a geração de um produto, mas os meus alunos que entram na extensão já sabem que existe esse compromisso. O projeto de extensão em que eu atuo gerou três capítulos de livro, várias apresentações em congressos nacionais e internacionais, realizando disseminação científica. Esta disseminação é importante, pois ajuda a outras pessoas que estão nesse mesmo lugar. No grupo de pesquisa é diferente; o processo é mais focado no desenvolvimento estrito de pesquisa”.

 

O interesse público na pesquisa científica é pauta na literatura. Uma tese discutida afirma que o principal parceiro e usuário potencial dos conhecimentos gerados pela pesquisa não é o setor privado, mas o setor público [4]. Isto envolve portanto as instituições de pesquisa, e no Brasil, principalmente as Universidades Federais. O tripé citado (ensino, pesquisa e extensão), é fundamental para a retroalimentação da ciência, gera conhecimento, dissemina informação e capacita profissionais competentes. O interesse público nesse diálogo compete aos alunos também, o que os motiva, os instiga a iniciar no meio científico e seguir essas etapas. 

“Tenho alunos de trabalho de conclusão de curso (TCC) também. A sala de aula não prevê necessariamente um produto que vai virar um artigo. Muitos alunos veem o TCC como um trabalho de disciplina, que vai ser guardado na gaveta. Na disciplina teórica de metodologia científica, no entanto, explica-se para o aluno que ele está inserido em um curso científico. Que no futuro este será desmembrado em ciência e profissão. Que ele precisará saber que tudo o que faz precisa ter um aporte científico e que a pessoa pode contribuir nisso. Então, ‘como que a gente vai convidar o aluno a olhar para  pesquisa como um produtor?’ Através da sala de aula. Então é assim. Pesquisa é uma coisa difícil, chata, e que pose ser não atraente à primeira vista. Mas quando vemos algo criando forma, quando você vê o propósito, cria-se um sentido. Então, se conseguir transmitir para o aluno que a pesquisa tem esses componentes positivos e negativos, vai dando um gás. Mas na disciplina teórica eles não têm tanta clareza. No grupo de pesquisa esta clareza vai ser consolidada. Então a gente vai mostrando as possibilidades de pesquisa e os alunos vão se inserindo”.

 

“Todos os meus alunos de TCC são meus alunos de IC . Por exemplo, se tenho três vagas para o TCC, converso com os estudantes antes de eles serem aceitos. ‘Se você quiser fazer o TCC comigo esse trabalho não será engavetado, terá um propósito. O trabalho será convertido em artigo. Você aceita?’ Se sim, eu oriento”. 

O meio científico transita no cenário atual por mudanças abruptas, que visam a melhoria dos indicadores já existentes. O Ofício Circular 46/2024-DAV/CAPES de 3 de outubro de 2024 explicita o que já está definido e no que todos os programas de pós-graduação de todas as áreas deverão se adaptar para a avaliação futura do quadriênio 2025/2028. Essa nova versão muda o modo de catalogar as pesquisas que ocorreram ao longo das décadas com base no Qualis."A metodologia da avaliação vai ser indicada no documento da área, como hoje se faz, mas com indicadores qualitativos e quantitativos diferentes. Eles deverão ser discutidos amplamente não só entre os consultores dos comitês como também com a comunidade acadêmica relacionada à área, podendo ser as associações de classe” [5].

 

Por tais razões questiona-se à pesquisadora qual o impacto dessa mudança e como o cenário brasileiro auxilia na elaboração da ciência. 

 

“Estamos em um processo de mudança. Durante muitos anos a gente trabalhou com a classificação Qualis e houve uma mudança a alguns anos atrás. Mas agora que as coisas estão mais configuradas. Em 2027 haverão outros critérios. Faço uma escolha de não publicar em revistas pagas, e isso é uma escolha política minha, porque eu acho que já trabalhamos muito no desenvolvimento da pesquisa; e ainda ter que fazer um aporte financeiro? Eu acho indelicado. Tenho conseguido fazer apenas em revistas gratuitas as publicações. Nesse aspecto, não necessariamente a revista paga vai publicar mais rápido, o que influenciava era o Qualis. Também trabalho em edição de revista. É um processo com várias etapas. Quando a pesquisa é um TCC ou uma IC posso publicar em uma revista B, conta bem, sem problemas. Agora o que não pontua bem são revistas C e revistas sem Qualis. Mas tudo é estratégia. Como hoje eu desenvolvo pesquisa no campo da saúde, eu tenho artigos que vão ser submetidos daqui a pouco em revistas de saúde coletiva. Se eu publicar na área de psicologia, será um grupo reduzido que irá ler. Na saúde coletiva mais pessoas irão ler, e não necessariamente apenas da área da psicologia. Então isso também é uma estratégia de publicação”.

 

“Uma coisa que o grupo de pesquisa no meu laboratório faz é dividir funções dentro do grupo. Os meus alunos de IC se dividem entre comunicação, ou seja, quem cuida da rede social do grupo de pesquisa, aquele aluno que está como olheiro dos eventos (como congressos em âmbito nacional, internacional e regional. Tenho o aluno que fica na secretaria, que emite declaração, que fornece documento e o aluno que é olheiro de revistas. Não submetemos para as mesmas revistas sempre”. 

 

“Eu atuo nesse momento com pesquisa qualitativa. Neste tipo de pesquisa existem vários subtipos e dentre estes tipos eu trabalho com o fenomenológico: que é o aporte da filosofia que aponta um método de pesquisa e a gente se inspira nesse método para fazer a pesquisa em situações práticas. Quando eu vou procurar revistas, eu sei que tem revistas que não vão receber uma pesquisa com esse método. Não posso, por exemplo, submeter em uma revista quantitativa um texto qualitativo. O risco de rejeição é altíssimo. Mas eu posso procurar revistas mais abertas e submeter. Esse método na psicologia tem várias formas de se desenvolver. Dentro da fenomenológica há várias ramificações, vai depender do filósofo que eu utilizo para inspirar o meu método. Envolve uma pesquisa exploratória, descritiva, narrativa ou empírica” 

“Os meus alunos têm feito dois caminhos no laboratório atualmente: pesquisa quantitativa e qualitativa. No meu mestrado eu fiz uma pesquisa teórica e eu utilizei esse método. Já no doutorado eu fiz uma pesquisa qualitativa fenomenológica empírica, atendi crianças e meu objetivo era dizer como acontecia a clínica psicoterápica dentro de um referencial teórico. Meu método de análise era o método quali- fenomenológico. Então eu carrego esse método e essa análise e aplico no meu grupo de pesquisa”.

 

“Na pós-graduação o orientador tem que fazer coordenar projeto quadrienal (4 anos). Trabalho com projeto guarda-chuva cujo um dos braços é a pesquisa qualitativa. Neste âmbito alunos fazem TCC, entrevista, análise documental. Hoje, dentro do laboratório, existe um mapeamento de prontuários sendo executado para entender-se qual o cuidado ofertado para crianças dentro do CAPS infanto-juvenil no município de Cuiabá. A universidade tem esse papel, de construção social, de facilitar esse acesso aos dados. Os alunos fazem esse mapeamento e contribuem diretamente na justificativa para mais profissionais, na melhoria na qualidade de trabalho. Eles estão engajados”.

 

“As dificuldades surgem de acordo com o que eu quero fazer. Comecei a atuar em uma ampliação da clínica psicoterápica e estou desenvolvendo algumas noções teóricas sobre clinica. O trabalho clínico nos CAPS é diferente de uma escuta clínica tradicional. Essa provocação fez com que eu quisesse entender como se executa uma clínica ampliada dentro desses espaços. No entanto, o CAPS trabalha com transtorno moderado a grave. Então, comecei a procurar os projetos terapêuticos globais desses serviços para entender quais eram os transtornos mais prevalentes em crianças. Logo, meu eixo foi estudar a clínica em quadros psicopatológicos específicos: transtorno de ansiedade generalizada (TAG), depressão e autismo. Estes são os mais prevalentes em relação ao último ano no qual eu tive acesso aos números. Em um dos CAPS tivemos que fazer um recorte para uma psicopatologia porque eram muitos dados”.

 

“É muito trabalho. Eu me sinto atraída para o campo da pesquisa. É chato e é cansativo em alguns momentos, mas eu tenho um propósito maior. Estou devolvendo para sociedade algo que é relevante. Saber que isso afeta as pessoas é crucial. Quando o aluno entende isso, ele avança muito. Um aprendizado que viso que os alunos vivenciem é que se trata de um trabalho processual. Não se faz pesquisa virando noite, na véspera da entrega. Enquanto o trabalho não for submetido, ele passará por reformulações antes de uma versão final. Outro aspecto importante para alunos de iniciação científica é entender que pesquisa é um trabalho! É preciso reservar um horário na semana para escrever. Caso contrário torna-se um sofrimento. É necessário entender a processualidade e agarrar-se em seu propósito!” 

A entrevista com o Drª. Rosa Brito durou cerca de 50 minutos e foi realizada de forma fluida. As perguntas surgiram de acordo com o diálogo, de maneira semiestruturada por um roteiro prévio, como previamente mencionado. 

Referências Bibliográficas

[1] Plataforma Lattes. Currículo de Rosa Brito. 2026. Disponível através do link: http://lattes.cnpq.br/3091394100247643. Acesso em: 05 fev. 2026. 

[2] Barreto MA, Aiello-Vaisberg T. Escolha profissional e dramática do viver adolescente. Psicologia & Sociedade, v. 19, n. 1, p. 107–114,  2007.

[3] Veiga IPA. Docência univesitária na educação superior. 2012. Disponível através do link: http://www.umcpos.com.br/centraldoaluno/arquivos/26_11_2012_218/docencia_univ ersitaria_na_educacao_superior.pdf. Acesso em: 05 fev. 2026. 

[4] Schwartzman S. Vista do A Pesquisa Científica e o Interesse Público. 2002. Disponível através do link: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/8648864/15400. Acesso em: 05 fev. 2026.

[5] Malafaia O et al. Fim do Qualis e início de uma nova era! Mudança radical da CAPES dando valor à pesquisa e não à revista onde ela é publicada. BioSCIENCE, v. 82, p. e076, 2024.

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