
Entrevista:
Moacyr Comar Júnior

MOACYR COMAR JÚNIOR
Bacharel em Química pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre e doutor em Físico-Química pela mesma instituição. Atuou como professor universitário e pesquisador na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e atualmente atua na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisa sistemas bioquímicos através de Dinâmica Molecular.
v.4, n.3, 2026
Março de 2026
Vinicius Marx Silva Delgado¹, João Vitor Expedito Nunes¹, Anna Luiza Ferreira Vieira², Antônio Pereira Ribeiro Arantes², Celso Judson Tadeu Batista Ferreira², Jakson Junio dos Santos², Larissa Cristiane Souza Prote¹, Leonardo Maciel Santos Silva², Luana de Sousa Vicente², Vítor de Morais Santos², Luiz Guilherme Machado de Macedo³
¹ Egressos da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ-CCO)
² Estudantes da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ-CCO)
³ Professor da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ-CCO)
Moacyr Comar Júnior é bacharel em Química pela Universidade de São Paulo e mestre e doutor em Físico-Química pela mesma universidade. A pós-graduação de Moacyr foi focada na aplicação de cálculos ab initio em sistemas quânticos. Ele foi professor adjunto da Federal do Amazonas até assumir a cadeira de Físico-Química no curso de Bioquímica da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atualmente, leciona no Instituto de Química da Federal de Uberlândia. Seu foco em pesquisa é voltado para a aplicação de estudos de Dinâmica Molecular em sistemas bioquímicos, linha que surgiu a partir de colaborações com colegas pesquisadores da área de Ciências Biológicas.
Embora tenha consolidado sua base acadêmica com cálculos ab initio na USP, foi na prática docente em Manaus e na imersão em pesquisa na UFSJ que o professor realmente aprendeu a ensinar e a pesquisar. Ele exemplificou que, no Campus Centro-Oeste (CCO), em Divinópolis-MG, aprendeu a fazer as perguntas certas para seus colegas, buscando propor meios para reunir os dados de pesquisa experimental com a abordagem computacional.
Fazer as perguntas certas define seu aprendizado no CCO, processo que refletiu uma curiosidade que o fez oscilar entre as Ciências Exatas e Humanas desde a juventude. Para o professor, a fronteira entre essas áreas é apenas um reflexo da limitação humana em dominar todo o saber, pois a Ciência é inseparável da História.
Nesse sentido, Moacyr Comar Júnior mantém linhas de pesquisa que integram diferentes áreas do conhecimento. A partir de problemas propostos por ele e seus colaboradores, utiliza técnicas de Dinâmica Molecular, uma ferramenta da Química que estuda o movimento dos átomos, para desvendar o comportamento de sistemas como proteínas e polímeros. Sob essa ótica, manter uma mente aberta e curiosa é essencial para o sucesso de cada ideia, já que os desafios que surgem são abrangentes e exigem diferentes conhecimentos para serem superados.
Além da atuação como pesquisador, o professor tem opiniões diretas quanto à imagem e ao papel do docente na sociedade e na formação do aluno. É nítido que a figura de professor mudou com o tempo: não é mais um repositório de conhecimento, e sim um incentivador da curiosidade. Cabe ao professor incitar o aluno e lidar com as diferentes personalidades dos discentes. Moacyr defende que, apesar de a trajetória da formação do profissional afunilar o conhecimento, não se deve afunilar a curiosidade!
Ele evidencia que lecionando no Brasil, pode contribuir muito mais na formação de novos profissionais para a sociedade, quando comparado com um cenário de ministrar aulas no exterior. Destaca ainda o quanto se sentiu reconhecido ao ser homenageado pelas turmas de estudantes da UFSJ. Saber que através de sua atuação ele está fazendo a diferença o motiva a continuar trabalhando em solo nacional. Entretanto, ele afirma com vigor que a relação de aluno/professor deve ser tratada com respeito mútuo e seriedade, fundamentada em bons modos de ambas as partes.
Mas pesquisar e lecionar em Federais brasileiras têm suas adversidades. O professor pontua que a pesquisa no Brasil é estrangulada há anos, tendo pouca verba e pouco reconhecimento social. Diante desse cenário, Moacyr afirma que é necessário nunca desistir. Por fim, como mensagem para a próxima geração de cientistas, o professor adverte que não se faz ciência sabendo onde se vai chegar, e que a resiliência é característica fundamental de todo pesquisador.