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Entrevista:
Mariana Sousa Vieira Saldanha

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MARIANA SOUSA VIEIRA SALDANHA

Doutora em Bioquímica e Imunologia (UFMG), mestre em Ciências da Saúde (UFSJ) e bacharel em Bioquímica (UFSJ). Professora da UFSJ (CCO), atua no ensino de biologia molecular, bioinformática, terapia gênica e produção de vacinas. Tem experiência em imunologia antitumoral, biologia molecular, análise de miRNAs, biomarcadores, variantes genéticas e terapias avançadas. Colabora com empresas privadas e projetos do SUS, na área de oncogenética. Atuou como pós-doutoranda na UFMG e Faculdade Santa Casa BH, com forte atuação em pesquisa translacional.

v.4, n.3, 2026
Março de 2026

Anna Luiza Ferreira Vieira, Jhennifer Lorrane da Silva Pereira Dias, Maria Eduarda Botelho, Maria Fernanda Araújo Porto, Nycolas Emanuel Santiago Carneiro, Thamyris Neves do Nascimento

Graduandos do curso de Bioquímica (UFSJ-CCO)

Quando percebeu que possuía interesse por ciência? 

Desde muito jovem sempre fui curiosa e questionadora. Na escola, tinha grande interesse por entender como as coisas funcionavam, especialmente fenômenos biológicos e químicos. Este interesse se consolidou ao compreender melhor o que o curso de bioquímica poderia me oferecer. Mesmo sendo curso com poucos formandos no país naquele momento, me identifiquei muito com o plano curricular e confirmei meu interesse.

 

Teve dúvidas ao realizar a escolha do curso de graduação? 

Sim, como é natural nesse momento, cheguei a considerar cursos como farmácia e engenharia química. No entanto, ao conhecer melhor o curso de Bioquímica, percebi que ele se alinhava melhor com meu interesse e me inscrevi.

O que considera ter sido decisivo em sua escolha por seguir a carreira científica?

O desejo de entender profundamente os mecanismos que regem a saúde e a doença, principalmente na área de oncogenética, somado à vontade de contribuir para avanços que possam beneficiar a sociedade, foram fundamentais. A escolha é diária. Já tive oportunidade de seguir carreira no setor privado também e, mesmo atuando neste setor, nunca deixei de colaborar com a pesquisa científica.

Por qual razão optou por dedicar-se à área de estudo na qual realiza suas pesquisas? 

Escolhi a área de imunologia e oncogenética por entender que são desafios de grande impacto na saúde pública. A possibilidade de investigar biomarcadores, desenvolver terapias e contribuir para diagnósticos mais precisos sempre me motivou.

Qual a principal motivação para seguir trabalhando com ciência no Brasil? 

A convicção de que a ciência tem o poder de transformar realidades, melhorar a vida das pessoas e gerar inovação. Apesar das dificuldades, acredito no papel social da pesquisa e na importância de formar profissionais comprometidos com o desenvolvimento do país.

Qual a principal dificuldade que enfrenta trabalhando com ciência no Brasil?

A escassez de financiamento, os entraves burocráticos e a desvalorização da carreira científica são grandes desafios. Muitas vezes, a falta de recursos compromete a continuidade dos projetos e dificulta o acesso a insumos e tecnologias de ponta.

O que gostaria de dizer para quem deseja seguir a carreira científica?

É uma carreira desafiadora, que exige resiliência, curiosidade constante e muito amor pelo conhecimento. Apesar dos obstáculos, é extremamente gratificante saber que seu trabalho pode gerar conhecimento, impactar vidas e promover avanços significativos para a sociedade.

Você desenvolve uma pesquisa científica? Se sim, quais são os objetivos e contexto da sua pesquisa?

Sim, atualmente desenvolvo pesquisas focadas na identificação de biomarcadores em câncer (glioblastoma), além de investigação de mecanismos imunológicos e expressão gênica em tumores mamários. Buscamos, por meio de ferramentas de biologia molecular e bioinformática, compreender processos biológicos complexos que possam auxiliar no desenvolvimento de terapias, diagnóstico precoce e na personalização de tratamentos. Além disso, colaboro com o projeto Genoma SUS através de uma colaboração com outro docente na UFSJ, que é uma iniciativa brasileira de grande porte focada em integrar a genômica e a medicina de precisão ao Sistema Único de Saúde. O objetivo principal do programa é promover o diagnóstico, a prevenção e o tratamento de doenças por meio da análise genética da população brasileira, contribuindo para uma saúde pública mais eficiente, personalizada e equitativa. Aqui, nosso foco são principalmente pacientes com síndrome de câncer de mama e ovário atendidos na ACCOM Divinópolis, na identificação de mutações genéticas associadas a câncer hereditário e auxiliar na eficácia de um aconselhamento genético ao paciente acometido com a doença e seus familiares de forma gratuita e com qualidade.

Em uma escala de 0 a 10 , qual a nota com a qual você avalia o papel da divulgação científica na aproximação entre a sociedade e a pesquisa acadêmica? Quais desafios são enfrentados e como podemos melhorar a comunicação no contexto brasileiro?

Atribuo nota 10 para o papel da divulgação científica na aproximação entre a sociedade e a pesquisa acadêmica, pois considero essa prática essencial para que a população compreenda a importância da ciência, dos investimentos em pesquisa e como isso impacta diretamente a vida de cada cidadão. No entanto, ainda enfrentamos desafios significativos no contexto brasileiro, como o baixo acesso da população à informação científica de qualidade, principalmente em regiões mais vulneráveis, além da linguagem excessivamente técnica utilizada por muitos pesquisadores (que dificulta a compreensão pelo público geral). Soma-se a isso a falta de formação específica dos cientistas em comunicação pública, o avanço da desinformação e das fake news, além do pouco investimento institucional e governamental em programas de divulgação científica. Para superar esses desafios, é fundamental capacitar os cientistas para que se tornem comunicadores mais eficazes, estabelecer parcerias com jornalistas, educadores e influenciadores, além de criar espaços acessíveis de ciência, como museus, podcasts, canais digitais e eventos comunitários. Também é necessário que universidades e centros de pesquisa possuam núcleos permanentes dedicados à divulgação científica e que essa atividade seja reconhecida como parte relevante da produção acadêmica e dos critérios de financiamento. A divulgação científica deve ser encarada como um ato de responsabilidade social e de cidadania, especialmente em um país como o Brasil, onde o acesso ao conhecimento ainda é profundamente desigual.

MAIS INFORMAÇÕES

AUTOR CORPORATIVO DO "À LUZ DA CIÊNCIA"

Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)
Rua Sebastião Gonçalves Coelho, 400
Chanadour | Divinópolis - MG
35501-296
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