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Contaminação oceânica em locais remotos

Ana Letícia B. Breancini¹, Camille P. Mansur², Iara Cecília Silveira Castro¹, Leticia Cerqueira¹

¹Graduandas do curso de Farmácia (UFSJ-CCO)

²Graduanda do curso de Bioquímica (UFSJ-CCO)

v.2, n.2, 2024
Fevereiro de 2024

Os mares e oceanos compõem grande parte do planeta Terra, constituindo cerca de 71% da superfície terrestre, sendo fundamentais para o ecossistema global. Devido à sua imensidão e às suas riquezas minerais e biológicas, os oceanos são utilizados por diversas nações, tanto comercialmente quanto cientificamente. No entanto, tem servido como destino final de resíduos e poluentes: um depósito de rejeitos de atividades humanas, com destaque para o plástico, poluente que perdura por longo tempo no ambiente causando prejuízos [1].

 

O aumento da produção e consumo desse material tem expandido a capacidade do ser humano em influenciar no ciclo geológico da Terra de forma negativa, sendo um processo irreversível que pode alterar a fauna e a flora do ambiente terrestre [2].

 

Um artigo publicado por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e de outras instituições brasileiras, comprova que o homem tem atuado como agente geológico acarretando o desenvolvimento de novas rochas por efeito da poluição marinha [2].

A geóloga Fernanda Avelar Santos, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR, foi à Trindade, uma ilha vulcânica no Atlântico Sul, para desenvolver sua tese de doutorado (2018-2023) sobre deslizamentos de terra, erosão e outros "riscos geológicos". Fernanda trabalhava perto de uma reserva natural protegida, conhecida como Parcel das Tartarugas, quando  foi surpreendida ao se deparar com um afloramento de 12 metros quadrados de rochas azuis esverdeadas e aspecto peculiar [3] (Figura 1).

Espantada com a situação, Fernanda levou dezenas de amostras para o laboratório. Ao analisar o material com a sua equipe, identificaram as rochas como um novo tipo de formação geológica, resultante da fusão dos materiais que a Terra usou para formar rochas há milhões de anos e um novo componente: lixo plástico [3]. Esse lixo foi identificado em quatro tipos de detritos plásticos distintos em composição e aparência. Os depósitos plásticos na plataforma litorânea recobriam rochas vulcânicas, sedimentos da atual praia compostos por cascalhos e areia e rochas praiais com superfície irregular devido à ação da água que provocou a chamada erosão hidrodinâmica [2]. 

Esse processo de formação de rocha, a partir da poluição marinha, é dependente de três etapas que ocorrem muito rápido: haver lixo plástico disponível no ambiente marinho e costeiro, deposição de lixo em praias e aumento da temperatura provocada pela ação humana. Dessa forma, o plástico derretido interage com os resíduos presentes na praia e forma um cimento plástico e, como consequência, essas rochas são produzidas [2].

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Figura 1: Geóloga descobre rochas de plástico em ilha oceânica brasileira.

Fonte: Fernanda Avelaar/AFP [2]

Assim, a geóloga afirma que o ser humano está atuando como um agente altamente nocivo, influindo em processos que antes eram naturais, como a formação de rochas. Tal atividade integra o que os geólogos nomeiam Antropoceno, que é a época do tempo geológico marcada pela influência do ser humano nos processos naturais da Terra [3].

 

Em conclusão, através dos estudos desta cientista brasileira foi possível constatar que o impacto da atividade humana nos ecossistemas marinhos, leva a resultados negativos e inesperados, como a formação de novas rochas pela incorporação do plástico advindo da poluição. Esse fenômeno é um exemplo do papel da sociedade na alteração dos processos naturais do planeta e mostra a necessidade de abordar o tema da poluição e suas nocivas consequências ao meio ambiente, incluindo a vida marinha. Diante disso, é necessária uma reflexão urgente sobre os seus impactos para a geração presente e para as que virão futuramente.

Referências Bibliográficas

[1] Machado, A; Hammes, T. Efeitos ambientais da contaminação oceânica por meio do descarte de esgotos. Disponível através do link: https://home.unicruz.edu.br/seminario/anais/anais-2018/XXIII%20SEMINARIO%20INTERINSTITUCIONAL/Ciencias%20Biologicas%20e%20da%20Saude/Mostra%20de%20Iniciacao%20Cientifica%20-%20TRABALHO%20COMPLETO/EFEITOS%20AMBIENTAIS%20DA%20CONTAMINA%C3%87%C3%83O%20OCE%C3%82NICA%20POR%20MEIO%20DO%20DESCARTE%20DE%20ESGOTOS%20.pdf. Acesso em: 09 de fev. 2024.

[2] Tokarski, J. Pesquisadores encontram rochas formadas por plástico na Ilha da Trindade. Disponível através do link: https://ciencia.ufpr.br/portal/pesquisadores-encontram-rochas-formadas-por-plastico-na-ilha-da-trindade/. Acesso em: 09 fev. 2024. 

[3] AFP. Geóloga descobre rochas de plástico em ilha oceânica brasileira: O principal ingrediente que Fernanda Avelar Santos descobriu nas rochas foram restos de redes de pesca Por AFP. Folha de Pernambuco, Pernambuco, 21 mar. 2023. Disponível através do link: https://www.folhape.com.br/noticias/geologa-descobre-rochas-de-plastico-em-ilha-oceanica-brasileira/262787/. Acesso em: 09 fev. 2024.

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